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Perfil do endividamento das famílias de Vitória em 2016

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Perfil do endividamento das famílias de Vitória em 2016

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) de Vitória mostra que em 2016 houve aumento de 0,8 pontos percentuais na taxa média anual de famílias endividadas em relação a 2015, alcançando 65,1% do total das famílias da capital. Além do endividamento mais alto, os indicadores de inadimplência também cresceram no ano de 2016, atingindo uma média anual de 30% de famílias endividadas, representando o maior percentual médio anual de toda série histórica. Já a média anual do percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso e sem condições de pagar seus atrasos obteve 9,2% do total de famílias em 2016.

Em 2016, entre as famílias endividadas, subiu para 26,6% o percentual de comprometimento médio anual da renda das famílias com dívidas em relação a 2015, que foi de 23,7%, entretanto, foi menor que os valores registrados para os demais anos da série histórica. O percentual de comprometimento está dentro dos 30% considerados razoáveis para o comprometimento da renda das famílias com esses tipos de dívidas, como por exemplo: cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês, empréstimo pessoal, prestações de carro.

As famílias, sobretudo no segundo semestre do ano de 2016, estavam mais propensas a pagarem suas dívidas, entretanto, não estavam sendo capazes de cumprir os prazos. No primeiro semestre a taxa média semestral daquelas que afirmavam que não teriam condições de pagar suas dívidas atingiu 12%, taxa esta que no segundo semestre passou a 6%. Outro indicador é o tempo médio do pagamento em atraso que no primeiro semestre era de 65 dias e no segundo semestre do ano diminuiu para 49 dias em média.

O cartão de crédito continuou sendo o principal tipo de dívida citado pelas famílias em 2016. No entanto, observou-se uma queda significativa da utilização, registrando uma média anual de 60,5%, uma diferença em torno de 10 a 20 pontos percentuais em relação aos anos anteriores.

Em geral, o perfil de endividamento das famílias apresentou alterações significativas no ano de 2016. Além da menor utilização do cartão de crédito, observou-se uma maior utilização do crédito pessoal, que registrava uma média anual de 8% em 2015, passou para 28,7% em 2016. Houve também um aumento na utilização dos carnês, que possuía uma média anual de 17,3% em 2015 e passou a 30,2% em 2016.

Comentários

O ano de 2016 apresentou alterações significativas no perfil do endividamento das famílias de Vitória. O ano também foi marcado de muitas incertezas políticas e econômicas além do alto desemprego, inflação e crédito mais caro. Todos esses fatores influenciaram na queda do consumo, no aumento do endividamento e da inadimplência. A inadimplência em 2016 registrou a maior taxa entre todos os anos pesquisados.

Certamente, a alta utilização do cartão de crédito em anos anteriores é um dos responsáveis por parte da persistência do endividamento e da inadimplência, fruto de um período de alto consumo. As altas taxas de juros cobradas no cartão de crédito fazem com que toda vez que acontecer algum imprevisto, como a perda do emprego, por exemplo, que atrase ou parcele o pagamento, a dívida cresça muito em pouco tempo, acumulando saldos devedores cada vez maiores e difíceis de sanar.

Por outro lado observou-se que os consumidores têm sido mais prudentes na realização de dívidas, contraindo aquelas com juros mais baratos, como o crédito pessoal, por exemplo, que comparativamente possui, em geral, uma taxa 3 a 4 vezes menor que o rotativo do cartão. Os carnês, que também aumentaram significativamente sua utilização em 2016 é outro exemplo e possui uma taxa anual cerca de 5 vezes menor que a do cartão. Além de contraírem dívidas com juros menores para consumir, outro movimento é a contratação de uma dívida mais barata para pagar a mais cara.

Apesar da baixa intenção de consumo das famílias indicada pela Pesquisa de Intenção do Consumo das famílias de Vitória (ICF), também divulgada pela Fecomércio-ES, o cenário de aumento do endividamento junto a baixa intenção de consumo sugere a utilização do crédito para outras despesas correntes das famílias, como compras de supermercado e pagamentos de contas da casa, por exemplo. O fator desemprego ainda é forte e interfere diretamente na capacidade de pagamento das contas das famílias.

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