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Bandes tem R$ 20 milhões de prejuízo

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Aroldo Natal, presidente do Bandes – Foto: Tati Beling

Bandes tem R$ 20 milhões de prejuízo no 1º semestre

Por: Titina Cardoso

O balanço do primeiro semestre do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) fechou no negativo. De acordo com o presidente da instituição, foram R$ 20 milhões de prejuízo no período. Aroldo Natal Silva Filho prestou contas das atividades do banco aos membros da Comissão de Finanças da Casa, em audiência pública realizada nesta segunda-feira, dia 4.

De acordo com o gestor, o resultado é “meramente contábil” e “momentâneo”. “A saúde do banco é ótima e o banco tem desempenhado o seu papel”, defendeu o gestor. Segundo o dirigente, o saldo negativo tem forte influência das crises hídrica e econômica. Como grande parcela da carteira de crédito da instituição é destinada ao setor rural, o aumento da inadimplência entre os produtores prejudicados pela seca impactou os resultados do banco.

“Ainda vivemos um momento econômico e político complicado. No cenário local, mesmo com a chegada das chuvas, estamos longe de superar a maior crise hídrica da nossa história”, comentou. De cada 10 parcelas de crédito rural vencidas, 4,5 não estão sendo pagas, relatou Aroldo Natal.

“Se o cliente não paga o Bandes, somos obrigados a provisionar o saldo devedor. O Bandes, como agente repassador de recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) tem honrado com suas parcelas, mesmo os clientes estando inadimplentes”, explicou.

PDV

Além dos efeitos da crise hídrica, o banco ainda está passando por uma reestruturação. Foi lançado o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), que vai gerar uma economia de cerca de R$ 8 milhões ao ano para a instituição. Mas, por enquanto, o PDV ainda está gerando prejuízo, já que a instituição está realizando o pagamento dos colaboradores que se desligaram.

Mesmo com o saldo negativo, as projeções para o fim do ano são de lucro. “A expectativa para o 2º semestre é positiva. Estamos com as despesas administrativas controladas e vamos continuar buscando os produtores rurais para regularizarem seus contratos”. Os números referentes aos meses de julho e agosto, segundo o gestor, já são positivos.

Liberações

O Bandes conta, atualmente, com mais de 30 mil contratos ativos e mais de R$ 1 bilhão em carteira ativa, sendo 68% do valor relacionado ao Pronaf. Só no primeiro semestre deste ano, foram liberados R$ 78,5 milhões em crédito, sendo quase R$ 30 milhões para o setor rural. Somando os meses de julho e agosto, o total de liberações já chega a R$ 100 milhões.

Segundo o gestor, o banco vem diversificando sua área de atuação. Em relação ao mesmo período do ano passado, as liberações de crédito para o comércio subiram em 142%; o aumento para o setor de serviços foi de 75%; e para a indústria, de 58%.

Aroldo Natal destacou ainda que 99% dos contratos para o setor empresarial são feitos com micro e pequenas empresas e 92% são com clientes do interior do Estado. A meta até o final do ano é a liberação de R$ 240 milhões em crédito. Já são R$ 61 milhões em projetos aguardando liberação e R$ 56 milhões em projetos em prospecção.

Questionamentos

Após a prestação de contas, os deputados da Comissão de Finanças puderam fazer perguntas e dar suas contribuições. O presidente do colegiado, Dary Pagung (PRP), questionou sobre as condições oferecidas aos produtores que desejam renegociar suas dívidas. Pagung perguntou ainda sobre as taxas de juros para as indústrias e sobre a liberação de crédito para projetos de geração de energia limpa e de economia criativa.

Sobre a renegociação das dívidas dos agricultores, Aroldo Natal respondeu que o banco tem aplicado as mesmas taxas usadas nos contratos originais. “A gente sabe que não é porque eles não querem pagar, é porque não têm condições. Estamos renegociando as parcelas de uma forma que esse produtor não sofra mais nenhum ônus”, disse.

Sobre o crédito para o setor industrial, o presidente informou que, historicamente, o banco tinha dificuldade de financiar, porque tinha taxas maiores que as praticadas no mercado. Porém, atualmente, as taxas do Bandes estão “extremamente competitivas e o prazo de liberação muito mais ágil”, comentou.

Já sobre o financiamento de projetos para geração de energia limpa, o dirigente explicou que o banco tem uma linha para o fomento da energia solar. “Um bom projeto dificilmente sairá do banco sem ser financiado. Nós não somos um banco comercial que vive de lucro. A gente não vai dar prejuízo, mas o nosso maior papel é fomentar a economia do Estado”, ressaltou.

Secretaria da Fazenda

Durante a reunião, os deputados aprovaram ainda a convocação do secretário de Estado da Fazenda, Bruno Funchal, para prestar contas dos trabalhos da pasta relativos ao segundo quadrimestre de 2017 (maio a agosto). A data ainda não foi definida, mas a prestação de contas deve ocorrer ainda no mês de setembro.

Participaram da audiência pública, além do presidente Dary Pagung (PRP), os deputados Almir Vieira (PRP), Doutor Hércules (PMDB), Euclério Sampaio (PDT), Jamir Malini (PP) e José Esmeraldo (PMDB).

 

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