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O 23º Festival de Cinema de Vitória rende homenagem à Dira Paes

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A homenagem à atriz acontece na noite do dia 17 de novembro, quinta-feira, no Teatro Carlos Gomes, e é aberta ao público

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Dona de papéis inesquecíveis no cinema, teatro e televisão, a atriz Dira Paes será a grande homenageada do 23º Festival de Cinema de Vitória. Na noite da próxima quinta-feira (17/11), ela subirá ao palco do Teatro Carlos Gomes para receber o abraço do público. No mesmo dia, às 15 horas, ela participará de uma entrevista coletiva no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória-ES. Na ocasião, também será lançado o Caderno da Homenageada, publicação com reportagem e imagens sobre a sua trajetória artística no cinema, teatro e televisão. 

Graças ao seu talento e versatilidade, Dira já foi dirigida por importantes diretores brasileiros e construiu uma carreira diversificada que se confunde, em uma certa medida, com o chamado cinema de retomada. Com 47 anos completos no último mês de junho, essa paraense conquistou o coração do público brasileiro com interpretações arrebatadoras e emprestou sua beleza mestiça a inúmeras personagens. 

Natural de Abaetetuba, Dira passou sua infância e adolescência em Belém. Aos 15 anos já falava inglês, o que a ajudou a conseguir um papel na produção britânica A Floresta das Esmeraldas, de John Boorman, o primeiro filme em que atuou. “Naquele momento, percebi que uma porta que se abria e eu não poderia hesitar”, conta. Ao terminar o ensino médio, ela ingressou no curso de Física, graduação que acabou abandonando para mudar-se para o Rio de Janeiro e se dedicar à sua formação e carreira de atriz. “Eu queria a vida urbana, pra estudar, pra ver espetáculos, queria aprender e entender a vida. Uma coisa que lamento é o fato de eu não ter vivido um tempo fora do país, acabei viajando o mundo inteiro, mas nunca tirei um tempo pra morar fora do país”.

Dira é casada com o cinegrafista Pablo Baião. Dessa união nasceram Inácio, em 2008, e Martim, em 2015. Mesmo morando no Rio de Janeiro, ela sempre manteve forte vínculo com o Pará, seu estado de origem. Atenta às questões coletivas e preocupada com o acesso democrático aos bens culturais, de 2004 a até 2010, produziu o Festival de Belém do Cinema Brasileiro/Circuito Festcine Belém. Dira também é uma aguerrida militante dos Direitos Humanos e é autora de Menina Flor e o Boto, livro infantil tem um livro infantil no qual faz uma espécie de homenagem à infância amazônica de sua mãe.

Sua trajetória como atriz se deu, sobretudo no cinema e na tv, mas em seu currículo também constam trabalhos no teatro. “Tive muitos convites irrecusáveis para o cinema o que fez que eu dedicasse menos tempo aos projetos de teatro. Mas sempre tive o desejo de estar no palco. Sabia que isso ia me fazer muito bem como atriz. Todas as vezes em que pude fazer teatro, eu fiz”. Em 1992, ela integrou o elenco da peça Capitães da Areia, uma adaptação do texto de Jorge Amado com direção de Roberto Bomtempo. Dira também atuou nas montagens O Capataz de Salema, direção de Sérgio Mamberti (1997), O Avarento, direção de Amir Haddad (2000), Meu Destino é Pecar, direção de Gilberto Gawronski (2002), Caderno de Memórias, direção de Moacyr Goés (2010), e Caligrafia de Dona Sofia, direção de Luciana Buarque (2014).

Uma musa do cinema

O seu segundo filme foi Ele, o Boto, de Walter Lima Jr., produção lançada em 1997. A partir daí, Dira não parou mais de trabalhar no cinema, atuou em cerca de 40 filmes e se consagrou como uma das musas do cinema brasileiro. Em 1996, junto com Chico Diaz, foi a protagonista de Corisco & Dadá, de Rosemberg Cariry. “Foi muito bom ter feito esse personagem sob a direção do Rosemberg Cariry. O nome já diz tudo, né? ‘Cariri’ diz muito sobre um sertão de cultura, da pele, da alma, da temperatura… A gente foi para Exu, terra do Luiz Gonzaga e eu fiquei hospedada na casa dele”. Esse também foi o trabalho no cinema que mais lhe rendeu premiações, entre eles o de Melhor Atriz no 29º Festival de Brasília. Em 2002, novamente com Chico Diaz, atuou em outro filme de Rosemberg Cariry: Lua Cambará – Nas Escadarias do Palácio.

Na década de 1990, ainda participou dos filmes Anahy de las Misiones, direção de Sérgio Silva, Lendas Amazônicas, de Ronaldo Passarinho Filho e Moisés Magalhães, e Castro Alves – Retrato Falado do Poeta, de Silvio Tendler. Atriz versátil, interpretou personagens cômicos e dramáticos. Em comédias, atuou para dois filmes da Betse de Paula: O Casamento de Louise (2001) e Celeste & Estrela (2005). Ainda gênero cômico, também integrou o elenco de Ó Paí, Ó, de Monique Gardenberg, e A Grande Família – O Filme, de Maurício Farias, ambas de 2005, E Aí… Comeu?, de Felipe Joffily (2012), Mulheres no Poder, de Gustavo Acioli (2016). Também participou de dois filmes do pernambucano Cláudio Assis: Amarelo Manga (2002) e 2006 – Baixio das Bestas(2006). Sob a direção do gaúcho Jorge Furtado atuou no longa-metragem Meu Tio Matou um Cara (2004) e no curta Até a Vista (2011). 

2004 foi o ano em que estreou o trabalho no cinema de maior repercussão pública para Dira: a cine biografia 2 Filhos de Francisco, de Breno Silveira, obra que está na lista das dez maiores bilheterias do cinema brasileiro. “O Breno, muito discretamente, falou pra mim ‘tem um filme sobre um pai, que eu acho que você deveria fazer o papel da mãe’. Tudo deu certo, todas as cenas foram feitas com muita felicidade. Tive um encontro com a Dona Helena no final da filmagem, ela me abraçou e passou a mão na minha barriga, e falou ‘eu assim que nem ela, mais magrinha’. Na composição do personagem, busquei a minha verdade sobre essa mulher e sobre amor desse homem sonhador, que era o Francisco”. 

Outro filme importante na sua trajetória também com a direção de Breno Silveira foi À Beira do Caminho, trabalho que lhe rendeu a premiação de Melhor Atriz do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 213. “É um filme sobre quando os sentimentos não estão alinhados e daí você perde o ritmo, a carona, o momento. Há uma cena narrada apenas com o olhar, cena de diálogos, que é muito bonita”. Também estão no currículo de Dira A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele (2002), Estamos Juntos, de Toni Venturi (2011), Sudoeste, de Eduardo Nunes (2011), Encantados, de Tizuka Yamazaki (2014), O Segredo dos Diamantes, de Helvécio Ratton (2014), Os Amigos, de Lina Chamie (2015) e Órfãos do Eldorado, de Guilherme Coelho (2015). Sua última participação na telona foi em Redemoinho, filme de José Luiz Villarim lançado no Festival do Rio deste ano.

Uma querida na telinha

Dira interpretou papéis igualmente diversos na televisão, atuou em 15 produções de autores e diretores consagrados e viu sua imagem se popularizar com o sucesso de personagens que caíram no gosto dos telespectadores. “Tudo muda de um dia para o outro quando você faz um personagem de uma novela das 9. É saber que amanhã as pessoas vão olhar pra você. A televisão ganhou muita qualidade nos últimos anos. Acho que ela produz com muita qualidade e vem evoluindo nesse sentido. Para esse desenvolvimento, absorveu muito da cinematografia brasileira, pois temos muitas pessoas que atuam na televisão que fazem cinema e vice-versa”. 

Foi na TV Globo onde Dira construiu, majoritariamente, sua carreira na televisão. Porém sua estreia na telinha se deu na TV Bandeirantes em 1986 com a minissérie Carne de Sol. Quatro anos depois, atuou em seu trabalho inaugural na TV Globo em Araponga, novela de Dias Gomes. Em 1995, interpretou Potira irmã dos personagens protagonistas da novela Irmãos Coragem. Em 1999, foi Palmira em A Força de Um Desejo, seu terceiro personagem telenovelas. 

Em 2003, Dira voltou à telinha como a cativante e abobalhada Solineuza no seriado A Diarista. Graças a esse trabalho recebeu prêmio de Melhor Humor na TV pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Durante o período em que atuou em A Diarista, também fez parte do elenco da minissérie Um Só Coração e da série Casos e Acasos. Em 2005, ela estreou em horário nobre como a popular Norminha em Caminho das Índias, novela de Glória Perez, trabalho que também rendeu alguns prêmios.

Em 2010, atuou nas novelas Ti Ti Ti, dirigida por Jorge Fernando, e, no ano seguinte, em Fina Estampa, obra de Agnaldo Silva com direção de Wolf Maia. Em 2012, fez uma participação na série As Brasileiras interpretando a dedicada e romântica Cleonice no episódio Doméstica de Vitória que contou com a direção de Tizuka Yamazaki, e também, viveu a batalhadora Lucimar Ribeiro que era mãe de Morena, personagem de Nanda Costa a protagonista da novela Salve Jorge.

Em 2014, atuou sob a direção de Luiz Villamarim em dois trabalhos: na minissérie em Amores Roubados, como a rica e charmosa Celeste Cavalcanti que viveu cenas picantes junto com o ator Cauã Reymond, e na novela das 11 O Rebu dessa vez como a inspetora de polícia Rosa Nolasco. Seu último trabalho na televisão foi como a professora Beatriz na novela Velho Chico, folhetim que foi ao ar de março até setembro deste ano. Nesse novela, ela fez par romântico com Irandhir Santos, ator parceiro em outros trabalhos no cinema. 

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival de Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória-ES, e conta com o patrocínio do Ministério da Cultura através da Lei de Incentivo à Cultura, da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Rede Gazeta. São apoiadores a Caixa Econômica Federal, a ArcelorMittal Tubarão, a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) e o Governo do Estado do Espírito Santo. O evento ainda conta com o apoio cultural do Instituto Sincades e do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) e com o apoio institucional do Canal Brasil e da Universidade Federal do Espírito Santo.

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