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Operação Lama Cirúrgica na Serra

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Ivan Lima, presidente do Sindhes na coletiva de imprensa sobre a operação Lama Cirúrgica – Foto: Reprodução

Sindicato dos hospitais se manifestam sobre reúso de materiais cirúrgicos

Os municípios de Colatina e Serra aparecem em destaque, no noticiário nacional, depois que o reaproveitamento de produtos médicos investigados pela operação “Lama Cirúrgica” por reutilização de material médico ser reutilizados em procedimentos no estado do Espírito Santo.

Ao todo nove mandados já foram presas em 16 busca e apreensão da operação “Medlecy 2” que foram cumpridos nos estados do Espírito Santo, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. Eles foram presos pelas práticas de organização criminosa e crime contra a saúde pública.

As nove pessoas foram presas na manhã de quarta-feira, dia 31, e acusadas de desviar medicamentos de alto custo de órgãos públicos de acordo com a investigação que aponta o grupo que conseguiu R$ 16,5 milhões ao revender medicamentos para hospitais e clínicas entre setembro de 2014 e maio de 2016 de acordo com a operação Lama Cirúrgica, comandada pelo Núcleo de repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc) que ganhou repercussão na segunda-feira dia 29.

A operaram esteve no Hospital Metropolitano, em Laranjeiras na Serra, e médicos investigados pela Nuroc – Foto: Reprodução

No município da Serra o assunto teve repercussão com relação aos envolvidos na busca feita na sede da Golden Hospitalar, a polícia encontrou carimbos de três médicos e um receituário assinado e carimbado por um quarto médico, só que em branco. “Isso é um documento, particular do médico e ele não pode fazer. É uma prática muito suspeita”, falou o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), do Espírito Santo.

Ao todo são quatro médicos investigados, e pacientes que eles operaram no Hospital Metropolitano, em Laranjeiras, que é o caso da aposentada Nilza Maria Plácida que fez uma cirurgia no final de 2017. Ela disse que “É horrível saber. A sensação é muito ruim, porque, na verdade, eu estou correndo risco. E se tivesse dado algum problema mais sério”, questionou.

Geane Sobral, gerente da Vigilância Sanitária da Serra falou que as consequências podem se manifestar anos depois. “Os riscos vão desde uma infecção por vírus, por hepatite, até a micro-bactéria. Esse dano que pode ser causado à saúde desse paciente nem sempre vai aparecer hoje, ele pode aparecer daqui a 10 anos”, contou.

No Hospital Metropolitano foi dito que suspendeu o recebimento de produtos que eram adquiridos por planos de saúde das empresas mencionadas no inquérito e destacou que está apurando a eventual responsabilidade de profissionais citados nas investigações.

O médico Nilo Lemos Neto afirma que o receituário encontrado na empresa Golden tinha a finalidade de cumprir o fluxo burocrático para confirmação de materiais que ele usou em cirurgia específica. Na coletiva de imprensa foi feita pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Espírito Santo (Sindhes) na tarde do dia 29 em Vitória e o sindicato se posicionou sobre o caso da reutilização de materiais cirúrgicos que deveriam ser descartados em hospitais privados no Estado e pelo menos três responsáveis já estão presos por adulterarem produtos cirurgias ortopédicas.

De acordo com Ivan Lima, presidente do Sindhes, as instituições associadas receberam orientação para suspender o uso de materiais da empresa envolvida na Justiça com processo.

Ivan Lima, afirmou que o Sindhes defende a compra dos produtos cirúrgicos pelos próprios hospitais, o que não acontece no Estado. “No Espírito Santo, são as operadoras de planos de saúde que faze a compra dos materiais. Não há intermediação entre os hospitais e as empresas fornecedoras”, explicou.

Segundo Ivan Lima. “Talvez este seja o momento para modificar esse fluxo”, e destacou que a adulteração era bem feita e até considerada rebuscada pelas autoridades que investigam a situação.

O médico Francisco Centoducatte, secretário do Sindhes, esclareceu que o problema não é de utilizar materiais com problemas de esterilização. “O que aconteceu foi à reutilização de materiais que não devem ser esterilizados. O caso não envolve nada que fique implantado no paciente, mas sim produtos instrumentais, como chaves, pinças e lâminas de bisturis.”, reforçou.

Francisco Centoducatte informou que o procedimento dos hospitais é o de quebrar qualquer produto após o uso. Mas, alguns deles são duros demais e acabam descartados inteiros no lixo.

Operação

Na operação “Lama Cirúrgica”, tem três envolvidos já foram presos e um hospital identificado no Estado no dia 16 de janeiro. A polícia constatou que mais de 2,5 mil materiais descartáveis foram reutilizados, depois de passarem por reprocessamento, o que é ilegal. Os produtos eram destinados a cirurgias ortopédicas em hospitais privados. O caso tomou repercussão nacional, sendo pauta no noticiário de todo o País, inclusive em reportagens especiais nos noticiários.

O CRE-ES orientou as unidades hospitalares do Estado pela suspensão imediata do uso de qualquer material fornecido pelas empresas Golden Hospitalar e Alfa Medical, investigadas pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc) na operação. Em nota, o CRM reafirma que é de fundamental importância que o fluxo de entrada e de descarte desses materiais seja revisto pelas unidades hospitalares, a fim de evitar riscos aos pacientes e transtornos de toda ordem.

A Sociedade de Infectologia do Espírito Santo (Sies) emitiu nota para esclarecer sobre a informação de haver risco da infecção até 10 anos após o procedimento com um material reutilizado. A instituição explicou que a definição de infecção adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se restringe há 90 dias, quando há colocação de implantes. Assim, a Sies tranquiliza os pacientes que fizeram alguma cirurgia em período superior a este.

Aos pacientes que realizaram o procedimento mais recentemente, deve-se prestar atenção nos sinais sugestivos de infecção, que são dor, aumento da sensibilidade, edema local, hiperemia ou calor.

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