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Mortes na UTI Neonatal de Vila Velha

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Mortes na UTI Neonatal de Vila Velha

Mortes na UTI Neonatal do Hospital Infantil de Vila Velha continuam

As mortes de prematuros na UTI Neonatal do Hospital Infantil de Vila Velha (Heimaba) continuam crescendo após a terceirização da unidade, ocorrida em setembro do ano passado. Apenas no dia 1º de janeiro, foram registrados quatro óbitos, provavelmente causados por infecção por fungos. Em outubro e novembro de 2017, já haviam sido registrados outros sete óbitos.

De acordo com Valdecir Gomes Nascimento, diretor do Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde) do Espírito Santo, as mortes registradas podem estar ocorrendo por infecção hospitalar por fungos e associadas à inexperiência dos novos trabalhadores contratados pela organização social que assumiu o Heimaba, além das condições do prédio que sofre com infiltrações e mofo. De janeiro a setembro do ano passado, antes do Instituto de Gestão e Humanização (IGH) assumir a unidade, apenas dois bebês morreram.

“Desde que foi divulgado as mortes na Utin do Heimaba, o Sindsaúde-ES está sendo procurado por diversas mães que estão assustadas com o tipo de atendimento que está sendo prestado no hospital. Assim como por funcionários que trabalham na unidade que relatam fatos graves, comuns após a terceirização”, explicou.

O rol de reclamação inclui paredes da Utin com mofo que podem estar causando infecções nos prematuros e falta de medicamentos para combatê-los. Além disso, há contratação de técnicos sem experiência para setores de alta complexidade como a de cirurgia cardíaca e a própria Utin, quebrando cláusulas contratuais; alta rotatividade por baixa remuneração e até falta de insumos básicos.

Na Utin, não preocupação com protocolos de segurança para evitar contaminação: há capacetes de motos e bolsas não chão; além de lixo e mofos nas paredes, conforme indicam as fotos.

Luvas são artigos de luxo

De acordo com Valdecir Gomes Nascimento, secretário de Comunicação do Sindsaúde-ES, há servidores trabalhando sem material adequado, pois, após a terceirização, a ordem é economizar. “Os trabalhadores nos relatam que luvas, antes um insumo abundante para evitar contaminações, agora é contado e tido como artigo de luxo. Os servidores estão realizando alguns procedimentos sem luvas, pois recebem poucos exemplares. Isso contribui para aumentar as infecções colocando pacientes e trabalhadores em risco”, explica.

A presidenta do Sindsaúde-ES, Geiza Pinheiro, ressaltar que, apenas o contrato de gestão entre a OS IGH, que passou a gerir o Heimaba desde setembro do ano passado, é R$ 87 milhões por ano, três vezes mais do que era gasto antes da terceirização, cerca de R$ 30 milhões, dados dos últimos 12 meses antes da terceirização.

Demissões em Massa

Segundo relato de servidores do Estado, concursados, que ainda atuam na unidade, os funcionários terceirizados contratados pela OS IGH não ficam muito tempo atuando no Heimaba, pedindo demissão logo que constatam que a quantidade de trabalho e a responsabilidade são muito maiores que o salário ofertado, cerca de R$ 1,1 mil para 44 horas de trabalho semanais.

Alguns estão assumindo setores importantes sem experiência. “Teve uma técnica que pediu demissão porque no segundo dia de trabalho já estava numa cirurgia cardíaca”, disse uma servidora que preferiu não ser identificada.

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