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Crianças na programação de férias

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Programação de férias:

Programação de férias: atividades realizadas neste período podem ajudar a melhorar o desempenho escolar – Foto: Foto: Reprodução TVGazeta

Atividades podem ajudar a melhorar o desempenho escolar

Por Lyvia Justino e Rita Diascanio

Crianças de férias em casa e sempre vem a dúvida: deixar os pequenos à vontade para fazerem o que querem ou ter uma programação para este período? O neurologista infantil Thiago Gusmão pontua que, mesmo nesta fase de descanso, a criança precisa ter uma rotina e as atividades realizadas devem ter como base o resultado do ano letivo que se encerrou.

“Crianças que apresentaram um bom desempenho escolar podem ter um período de ócio maior ao longo do dia. Já aquelas que tiveram um grau maior de dificuldade, que refletiu no rendimento escolar, precisam de uma rotina mínima de estudos para que não tenha uma defasagem ainda maior no ano letivo que irá se iniciar. E em todos os casos é preciso incluir atividades de lazer, esportivas e culturais, que agreguem novas informações e faça a criança ser atraída para outras coisas além da tecnologia”, pontua o neurologista.

O especialista afirma que, nos últimos dez anos houve um aumento do número de crianças com fracasso escolar, ou seja, com dificuldades que permeiam a alfabetização e a aprendizagem. Segundo Thiago Gusmão, isso ocorre porque a rotina se diluiu ao longo dos anos e o foco maior, que deveria ser os ambientes escolar e familiar, se perdeu. Como consequência da redução do tempo de estudo das crianças vem as dificuldades escolares mais frequentes e o aumenta dos distúrbios de comportamento como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (Tdah).

A estimativa atual é que cerca de 2% a 6% das crianças em idade escolar tenham Tdah, com o número variando de acordo com cada país. “Quase 10% das crianças na idade escolar vão ter algum grau de desatenção ou hiperatividade, em uma perspectiva mundial. Isso ocorre porque as crianças estão cada vez mais mutiestimuladas pela tecnologia, mas com pouca rotina de estudos. Isso faz com o cérebro esteja mais ativo, mas sem foco”, explica o neurologista infantil.

Erros x acertos

Para não errar na programação das férias, os pais precisam estar cientes que ter uma rotina neste período de descanso não significa eliminar a descontração da vida da criança. Segundo o neurologista infantil Thiago Gusmão, os erros mais comuns dos pais neste período são manter a criança o tempo todo em casa; o uso excessivo de dispositivos eletrônicos como televisão, tablet e celular; e não ter horário para dormir, indo tarde para cama e acordando muito fora do seu horário convencional.

“Essa falta de rotina e o permanecer dentro de casa gera um aumento da ansiedade e da hiperatividade, principalmente em crianças com Tdah. Elas precisam de atividades para extravasar a energia que tem. Por isso, é preciso pensar em atividades externas que desperte o cérebro da criança para a evolução e também para a interação social”, recomenda o especialista.

Entre as dicas do neurologista estão colônias de férias, escoteiros, programações culturais com visitas a museus e espaços educativos. Também é importante incluir atividades esportivas, principalmente se envolver contato com outras crianças para estimular a interação. A parte da aprendizagem pode ser estimulada com leitura e até atividades que trabalhem com letras, cores e números.

“As crianças com Tdah precisam manter a terapia, fazendo o acompanhamento profissional mesmo que com intervalo maior entre as sessões. Também é importante ter um horário semanal para estudo, em casa ou com um profissional mesmo estando de férias. Isso evita uma regressão do tratamento neste período e ajudará a chegar no começo das aulas mais preparada”, comenta.

Os aparelhos tecnológicos não são proibidos, mas devem ser usados de forma positiva. A indicação é não ultrapassar três horas de exposição diária a celulares, tablets e televisão, com o tempo dividido ao longo do dia. Também é importante dividir o uso do tempo com atividades recreativas, como os jogos, com atividades de aprendizagem com o uso de aplicativos culturais e musicais, ou com informações destinadas ao conhecimento, viagens e aprendizado.

“Esse cuidado com a criança no período de férias será fundamental para trabalhar a sua autoestima e para que ela se supere no próximo ano. Os pais e responsáveis têm papel fundamental de incentivador e de reforçador positivo. Se isso não ocorre, a criança chega ao próximo ano com as mesmas dificuldades. É preciso oferecer diversão, mas com pitada do aprendizado, de cultura, de estimulação. A criança é fruto do meio e os estímulos que oferecemos a elas são fundamentais para seu desenvolvimento”, enfatiza Thiago Gusmão.

 

Programação de férias: atividades realizadas neste período podem ajudar a melhorar o desempenho escolar Foto: Divulgação

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