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Associações se posicionam na incineração de lixo

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Reunião da Comissão de Resíduos Sólidosrecebeu a técnica do CNDDH, Neiriele da Silva, e a presidente da Amariv, Vera dos Santos – Foto: Tonico

Associações se posicionam contra incineração de lixo

As associações de catadores de materiais recicláveis de Vitória se posicionaram contra a contratação de empresa para incinerar o lixo produzido no município. De acordo com a técnica do Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e dos Catadores de Material Reciclável (CNDDH), Neiriele Marques da Silva, as prefeituras de Vitória e Vila Velha abriram processo licitatório para esse fim. A incineração do lixo será um meio de produção de energia.

A técnica participou da reunião da Comissão Especial dos Resíduos Sólidos, que retomou os trabalhos nesta segunda-feira, dia 28. Ela veio acompanhada da presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis da Ilha de Vitória (Amariv), Vera Lúcia Silva dos Santos, e do técnico da Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), Herberth Gomes Ferreira.

Desemprego e poluição

De acordo com a catadora Vera Lúcia Silva dos Santos, a contratação de empresa tirará o emprego de dezenas de famílias que dependem do lixo. “Essa empresa que está por vir vai nos prejudicar muito. Vai ficar muita gente desempregada. Cada associação tem uma média de 23 a 25 associados. Nós dependemos desses empregos”, alegou a presidente da associação.

Além do desemprego, segundo a técnica Neiriele da Silva, a incineração não é uma forma ecologicamente correta de lidar com o lixo. “Esse processo de incineração é um retrocesso na lei, é energia não limpa e não prevê a contratação da população em situação de rua. Vitória já vem sofrendo com o pó preto e agora sofrerá com a produção de energia não limpa”, alertou.

O deputado Marcos Bruno (Rede), que preside a comissão especial, também se posicionou de forma contrária à contratação: “A lei deixa bem claro que os protagonistas do processo de reciclagem do lixo têm de ser as associações. Se a capital do Estado contrata uma empresa privada para fazer isso, ela vai na contramão”, comentou. “A incineração do lixo vai liberar mais dióxido de carbono na atmosfera. Contrata uma empresa, taca fogo no lixo e deixa dezenas de pessoas desempregadas”, alertou o parlamentar.

CPI

Hoje, o lixo recolhido pelas prefeituras têm destinações diferentes. Algumas cidades destinam os resíduos diretamente para os aterros que, normalmente, são geridos por empresas privadas. Outras reservam os resíduos para as associações de catadores. O lixo chega todo misturado e os trabalhadores têm de separar o que é reciclável do que não é.

De acordo com Vera Lúcia dos Santos, das 70 toneladas de lixo destinadas à associação, 30 toneladas são de rejeitos não aproveitáveis. E para dar fim a esses rejeitos, a associação tem de pagar uma empresa para recolhê-los. Já os materiais recicláveis podem ser vendidos pelos associados. Os catadores tiram, em média, de R$ 600 a 700 por mês.

Marcos Bruno disse que vai colher a assinatura dos deputados para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Lixo. De acordo com o deputado, são gastos muitos recursos com a destinação do lixo na Grande Vitória e “a conta não fecha”. “Só em Cariacica, são gastos R$ 64 milhões por ano com lixo. Não pode destinar um pouco desse dinheiro para a educação ambiental e para ajudar essas associações?”, questionou.

“O lixo virou um grande negócio no estado do Espírito Santo. Tem empresário que não tem onde ganhar mais dinheiro”, disse. “Se você tem associações com custo mínimo e com trabalho ecologicamente correto, para que levar para um aterro? O custo da reciclagem é mais barato. Por que essa prioridade para a iniciativa privada? Essa conta realmente não fecha”, comentou Marcos Bruno.

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