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Lei prevê caixa para atendimento em Braile

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Cleusa Paixão (PMN) protocolou PL que prevê atendimento em Braile

Lei prevê caixa para atendimento em Braile

Texto: Ubirajara Netto

Sacar dinheiro, fazer transferências, depósitos, consultas a extratos e saldos. Essas entre tantas outras movimentações bancárias podem gerar dúvidas e confusões aos correntistas. Agora imagine a situação de quem necessita fazer as mesmas transações e não enxerga? Além de obstáculos estruturais a vencer durante o percurso até os bancos, deficientes visuais vêm “esbarrando” na falta de acessibilidade em muitas agências bancárias no Município da Serra.

A vereadora Cleusa Paixão (PMN), protocolou na segunda-feira, dia 30, o projeto de lei (PL) para que torne obrigatórios as agências ou postos de atendimento bancários, instaladas no município da Serra, e a manter pelo menos um caixa eletrônico com a opção de atendimento em braile para a utilização de deficientes visuais. “Andei pesquisando sobre o assunto e segundo dados da Organização de Saúde (OMS) 10% da população brasileira são portadores de deficiência, sendo 0,5% desta portadora de deficiência visual, num total aproximado de 700 mil cidadãos no país. Se todos nós temos que ter direitos iguais, vejo neste PL um atendimento justo para com os deficientes visuais. Isso é uma atitude de cidadania”, explica.

De acordo com o artigo 1º do PL ficam as agências bancárias da Serra obrigadas a instalar no mínimo, um caixa eletrônico, com teclas para leitura em braile, sonorizada com adaptação de fone de ouvido, para utilização pelo deficiente visual.

Cleusa explica ainda que a única forma de os deficientes ter uma vida semelhante à das pessoas consideradas normais, é que o ambiente deles seja o mais parecido com os demais. “São cidadãos, trabalham, pagam impostos e contribuem para o crescimento do País, eles precisam ser valorizados e terem acessos fáceis às informações”, destaca.

Cego há três anos em decorrência da diabete, Rinaldo José dos Santos, 43 anos, relatou para o incômodo que é ter que depender de alguém para ir ao banco. “Nem sempre nossos familiares têm tempo ou se dispõem a nos acompanhar até as agências. Além do mais, tem que ser alguém de confiança, pois, hoje em dia, até pessoas que enxergam caem em golpes na boca do caixa”, afirmou.

Segundo Rinaldo nenhum banco possui linguagem em braile nas teclas. “A tecnologia por um lado ajuda e por outro atrapalha no nosso caso, já que as maiorias dos caixas eletrônicos têm tela tipo “touchscreen”. Eu perdi a visão com 40 anos, já conheço e tenho uma ideia sobre os sistemas, mas fico imaginando a dificuldade de quem nunca enxergou”, concluiu.

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